quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Viva o sol



Agrofotovoltaica aproveita o Sol para energia e alimentos
Redação do Site Inovação Tecnológica 











O consórcio de agricultura e energia solar aumentou a eficiência do uso da terra em 60%.[Imagem: Hofgemeinschaft Heggelbach/Olivia Schmid]


Agrofotovoltaica
A instalação de fazendas solares não precisa competir com o uso agrícola do solo - na verdade pode otimizá-lo muito.

Foi o que demonstrou um experimento realizado na Alemanha, em uma fazenda próxima ao Lago de Constança.

O objetivo era demonstrar o conceito de "agrofotovoltaica", em que a fotovoltaica (a geração de eletricidade pela luz do Sol) atua em sinergia com a fotossíntese natural das plantas sendo cultivadas.

Levando em conta a renda extra pela venda da eletricidade, o projeto concluiu que a agrofotovoltaica aumenta a eficiência do uso da terra em até 60%.

"Os resultados do primeiro ano do projeto são um sucesso completo: o sistema agrofotovoltaico mostrou-se adequado para uso prático e custa tanto quanto um pequeno sistema de telhado solar. A produção da cultura é suficientemente alta e pode ser comercializada de forma rentável no mercado," disse Stephan Schindele, da Universidade de Hohenheim.

Eletricidade limpa e alimentos
Os experimentos mostraram que a melhor configuração, para garantir que as culturas fiquem expostas à radiação solar uniforme, consiste na orientação sudoeste dos painéis solares - o que é válido para o hemisfério norte. Além disso, os painéis solares devem ser instalados a uma altura de cinco metros e mais espaçados do que em uma fazenda solar exclusiva.

As primeiras culturas a serem testadas foram trigo de inverno, batatas, aipo e trevo. A colheita de batatas, aipo e trigo foi de 18 a 19% menor e a de trevo foi 5,3% menor do que nas culturas de referência, sem os painéis solares.

A perda, contudo, foi mais do que compensada pela receita com a energia solar. Nesses primeiros 12 meses, a fazenda solar gerou 1.266 kW/hora, o suficiente para abastecer 62 residências de quatro pessoas no padrão alemão de consumo.

A equipe afirma que pretende prosseguir com o projeto-piloto para analisar outras culturas antes de publicar suas conclusões definitivas.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Segurança para nós e aviões



Entorno da Baía de Guanabara terá mapeamento de aves para evitar acidente aéreo

  • 31/12/2017 13h30
  • Rio de Janeiro
Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil
Cidades do entorno da Baía de Guanabara, como Duque de Caxias, Magé, Itaboraí, Niterói e São Gonçalo estão passando por um mapeamento para identificar focos de atração de aves que possam gerar riscos de colisão com aviões.

Rio de Janeiro - Programa de  mapeamento para identificar focos de atração de aves que possam gerar riscos de colisão com aviões Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

O levantamento é uma ampliação do Programa de Gerenciamento de Risco da Fauna, que monitora os focos atrativos da fauna na Área de Segurança Aeroportuária (ASA) e faz o manejo da fauna na região do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão – Antônio Carlos Jobim.

O trabalho é feito em parceria com o Centro de Preservação de Aves de Rapina (Cepar) e conta com a atuação de aves de rapina e cães que afugentam ou capturam outras aves que ameaçam a operação do aeroporto.

De acordo com a assessoria da RIOGaleão, concessionária que administra o terminal, nas outras cidades será feito um mapeamento com a parceria das prefeituras, para saber a quantidade e tipos de aves que sobrevoam essas regiões. Áreas de lixões e concentração de pesca atraem animais que podem voar em direção ao aeroporto e colidir com as aeronaves.

Falcoaria
O trabalho com falcoaria e cães iniciou há 4 anos e, desde 2015, o número de colisões diminuiu 30%. Foram 109 em 2015, 74 em 2016 e 76 até novembro de 2017, segundo dados da Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes aeronáuticos (Cenipa).

De acordo com a Cepar, o número de acidentes foi reduzido na área de segurança onde o programa atua, mas ainda ocorre nas áreas de aproximação do aeroporto. Se forem consideradas apenas as espécies que habitam a área do terminal, a redução chega a 50%.

O manejo de fauna é feito por um grupo de 15 profissionais da biologia e veterinária. As aves de rapina - falcões e gaviões -, que são caçadoras naturais, são treinadas para afugentar e capturar urubus, carcarás e garça branca, e não matar.

A atividade é autorizada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e as aves são adquiridas de criadores legalizados e registrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Já os cães, da raça pointer inglês, são adestrados para farejar e identificar ninhos, filhotes e carcaças, que são recolhidos pela equipe. As aves capturadas passam por exames e catalogadas, depois são soltas no Parque Natural de Gericinó, em Nilópolis, na Baixada Fluminense.
Edição: Aécio Amado


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Estamos contaminados!



Pesquisa encontra agrotóxico em 60% dos alimentos em São Paulo e Brasília
  • 31/10/2017 21h39
  • São Paulo





Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil
Testes toxicológicos realizados pelo Laboratório de Resíduos de Pesticidas (LRP) do Instituto Biológico de São Paulo, a pedido da organização não governamental Greenpeace, mostraram que 60% dos alimentos que a população de São Paulo e Brasília come diariamente contém resíduos de agrotóxicos. Em 36% das amostras, havia ainda alguma irregularidade, como presença de agrotóxicos banidos do país e de quantidade acima do limite máximo de resíduos permitido no Brasil.

Os alimentos foram comprados principalmente de empresas na Central de Abastecimento  (Ceasa) do Distrito Federal; na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em São Paulo; e na zona cerealista da capital paulista. No total, 113 quilos de alimentos foram analisados, divididos em 50 amostras. Os alimentos testados foram mamão formosa, tomate, couve, pimentão verde, laranja-pera, banana-prata, banana-nanica, café, arroz integral, arroz branco, feijão-preto e feijão-carioca.

“Os agrotóxicos podem causar sérios problemas de saúde. Vários estudos associam estes pesticidas com problemas como desregulação hormonal, malformação, distúrbios nos sistemas nervoso, reprodutivo e imunológico, e até o câncer. Estamos expostos a essas substâncias diariamente pelos alimentos”, disse Marina Lacôrte, especialista do Greenpeace em agricultura e alimentação.

Em diversos alimentos testados, encontrou-se mais de um resíduo de agrotóxico. A mistura de substâncias químicas no mesmo alimento pode causar o que é conhecido como efeito coquetel, cujos efeitos no corpo não são conhecidos e podem ser diferentes dos efeitos causados pelas substâncias isoladas, alertou o Greenpeace.

“Comer todos os dias, mais de uma vez por dia, algum desses alimentos que apresentaram mais de um tipo de resíduo de agrotóxicos, isso é realmente muito preocupando. Alimentar-se no Brasil hoje é uma verdadeira loteria, só que ninguém quer ganhar porque os prêmios são esses: problemas de saúde e diversos impactos ambientais”, disse.

Segundo Marina, os resultados refletem um cenário ruim de fiscalização no campo. “Essas irregularidades que apresentamos mostram que o cenário é muito ruim em termos de controle e fiscalização. Significa que boa parte das práticas que eram para ser cumpridas no campo não estão sendo cumpridas”. Em sua avaliação, este cenário pode piorar caso um conjunto de projetos de lei que tramitam na Câmara dos Deputados seja aprovado, e que inclui o PL 6.299/2002, de autoria do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, além de outros projetos de parlamentares da chamada bancada ruralista.

“Se esse pacote for aprovado, vão transformar o país em um mar de veneno. O pacote do veneno é, que já está tramitando na Câmara, vai causar um verdadeiro desmonte da lei atual de agrotóxicos. Ele muda uma série de regras, causa uma série de retrocessos nessa lei. Um deles é que ele pretende mudar o nome de agrotóxicos para defensivos fitossanitários, o que é bastante grave, porque isso mascara a nocividade dessas substâncias”, avaliou. Além disso, o pacote de projetos prevê retirar o Ministério do Meio Ambiente e a Anvisa do processo final de aprovação dos agrotóxicos.

“Ele [o pacote] pode permitir que substâncias cancerígenas venham a ser aprovadas. Hoje em dia, a lei traz uma série de aspectos proibitivos. Um deles é se a substância se apresentar potencialmente cancerígena. Se ela tiver essa característica, ela nem passa para frente para continuar sendo avaliada, aprovada e registrada. Esse projeto de lei pode mudar isso”, disse. Marina explicou que o chamado “pacote do veneno” dará abertura para que tais substâncias sejam aprovadas.

A proposta do Greenpeace é que a população pressione para que a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, que também é um projeto de lei e já está na Câmara, seja aprovada. É preciso que seja instalada uma comissão especial para analisar a matéria, mas, de acordo com Marina, existe uma pressão de deputados para que a comissão não se instale. “O que mostra que estamos muito na contramão, porque não só a gente não está começando a pensar no caminho de reduzir essas substâncias, ter uma agricultura menos impactante, mais regenerativa, que produza comida saudável para todo mundo, como estamos indo pelo caminho totalmente oposto, que é o de liberar substâncias mais perigosas”, disse a especialista.

O Ministério da Agricultura, sob o comando de Blairo Maggi, foi procurado, mas não retornou até a publicação da reportagem.
Edição: Davi Oliveira