sábado, 3 de outubro de 2015

Doenças cardiopulmonares e os morcegos



Possíveis reservatórios do hantavírus
Pesquisadores identificam anticorpos contra vírus em morcegos de diferentes espécies
RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição Online 0:20 29 de setembro de 2015













 Morcegos de São Paulo e Minas Gerais apresentaram anticorpos específicos contra nucleoproteína recombinante do hantavírus










Morcegos brasileiros de espécies e hábitos alimentares distintos, e não apenas aqueles que se alimentam de insetos, podem estar servindo como reservatório do hantavírus, causador de doenças cardiopulmonares e outras complicações. Em um estudo publicado na revista The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, um grupo internacional de pesquisadores sob coordenação do biólogo Gilberto Sabino-Santos Jr, do Centro de Pesquisa em Virologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), analisou morcegos de várias espécies que se alimentam de frutas, carne e sangue. Ao todo, capturaram 270 animais entre fevereiro de 2012 e abril de 2014 em São Paulo e no norte de Minas Gerais. Destes, 53 tiveram amostras de sangue colhidas para análises.

Os pesquisadores verificaram que nove deles tinham anticorpos específicos contra a nucleoproteína recombinante do hantavírus Araraquara, variedade assim chamada em referência à cidade do interior paulista, onde foi encontrada pela primeira vez em 1995. O resultado, segundo eles, é preocupante, dada a diversidade desses mamíferos no país. “Os resultados também sugerem que esses animais tiveram contato com o vírus em algum momento e, portanto, estariam servindo de reservatório do hantavírus”, diz Sabino-Santos. Até então, outros estudos sugeriam que só roedores e morcegos que se alimentavam de insetos poderiam abrigar o vírus.

Os roedores são os principais reservatórios naturais conhecidos do hantavírus, que os transmitem pela urina, saliva e fezes. No Brasil, o rato-de-rabo-peludo (Necromys lasiurus) é o principal transmissor do vírus. O mesmo roedor também é responsável pela disseminação do protozoário Leishmania (Viannia) braziliensis, causador da leishmaniose tegumentar americana, a forma mais comum de leishmaniose em seres humanos no território nacional (ver Pesquisa FAPESP nº 101).

Os diversos tipos de hantavírus representam um grave problema de saúde pública, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil. De 1993 a 2012, o país registrou um total de 1.573 casos de síndrome pulmonar causada pelo hantavírus, com uma taxa de letalidade de 39%. Os indivíduos infectados têm febre alta e sintomas semelhantes a um resfriado comum, o que aumenta os riscos de transmissão para outras pessoas. No entanto, a doença pode rapidamente evoluir para um edema pulmonar e insuficiência respiratória.

“O papel desses animais enquanto reservatórios de hantavírus ainda não foi totalmente esclarecido”, explica Sabino-Santos. ”O potencial impacto de morcegos infectados na transmissão do vírus para humanos precisa ser mais estudado.” Para verificar se de fato os morcegos funcionam como reservatórios naturais do hantavírus, o grupo de Sabino-Santos pretende avaliar o genoma do vírus nas fezes e na urina dos animais. “Queremos tentar detectar o vírus nos tecidos de pulmão, coração e rim. Se o vírus for encontrado nesses tecidos, e se o estiverem excretando nas fezes e na urina, então teremos um forte indício de que os morcegos são reservatórios naturais de hantavírus e podem transmitir a doença para humanos.” A transmissão se dá pelo contato com a urina, fezes ou saliva do morcego. Essas situações podem ocorrer em regiões rurais e sem saneamento.

Projeto
Detecção e ecologia de hantavírus em pequenos mamíferos selvagens e em seus ectoparasitas (nº 11/06810-9); Modalidade Bolsas no país – Doutorado; Pesquisador responsável Luiz Tadeu Moraes Figueiredo Bolsista Gilberto Sabino dos Santos Junior (FMRP-USP); Investimento R$ 155.882,0 (FAPESP). Artigo científico
Sabino-Santos Jr, G. et al.
Evidence of Hantavirus Infection among Bats in Brazil. The American Society of Tropical Medicine and Hygiene. v. 93, n. 2, p. 404-6. ago. 2015.

sábado, 22 de agosto de 2015

A ciência avança e traz novas possibilidades

Empresa abre ao público software que ajuda Stephen Hawking a falar
Programa, desenvolvido especialmente para o físico, foi disponilizado online




O código do software que possibilita ao físico Stephen Hawking falar através de um computador foi aberto ao público na internet por sua criadora, a Intel.
O programa, que agora também pode ser baixado gratuitamente por qualquer um, interpreta sinais visuais e os traduz em palavras, que são então "faladas" por uma voz sintetizada.
A Intel desenvolveu o programa, originalmente, especialmente para Hawking, mas ela já foi usada por outros afetados por doenças do neurônio motor (que afetam as células que controlam a atividade muscular).
A Intel espera que o ACAT, que roda no Microsoft Windows 7 e versões superiores, possa ser aperfeiçoado por pesquisadores que desenvolvem novas interfaces para pessoas que sofrem de doenças como a ELA (esclerose lateral amiotrófica), que afeta a Hawking. O programa e o código-fonte completo foram publicados no site de compartilhamento de programação GitHub.

Escolha de sensor
A Intel disse à BBC que o software pode executar outras funções além de enviar textos para um sintetizador de fala. "Temos menus para acessar diferentes partes do computador", disse Lama Nachman, engenheira-chefe. "Se você quer usar o Word, navegar na internet e falar você pode usar o ACAT para isso."
Ela acrescentou que a equipe testou diversos sensores, e que esperam que os desenvolvedores tentem outras opções adequadas às necessidades e habilidades de cada paciente.
"Também temos um sensor [de movimento] chamado acelerômetro para pacientes que conseguem usar apenas o dedo, e um sistema de botão para quem consegue apertar botões", disse ela. A Associação de Doenças do Neurônio Motor (MND Association) do Reino Unido elogiou a iniciativa da Intel.
Papel e caneta
"Ajudar a manter a comunicação de uma pessoa com esta doença pode ser simples como usar papel e caneta. Mas, à medida que a doença avança, as pessoas muitas vezes perdem o uso das mãos também", disse Karen Pearce, diretora de assistência da MND Association.
"É aí que a tecnologia de ponta AAC (Comunicação Ampliada e Alternativa, que auxilia pessoas com dificuldades) pode ajudar, mas é vital que terapeutas de discurso e linguagem avaliem as melhores opções para as famílias."
"Vai ser empolgante ver como vai funcionar essa abordagem de código aberto", diz.
A "AAC é uma parte fundamental da minha vida. Ao contrário de pesquisas médicas, a tecnologia está avançando muito rapidamente, e é animador ver novas coisas surgindo todos os anos", disse Euan MacDonald, que sofre de doença do neurônio motor e faz avaliações sobre acesso para deficientes no site Euan's Guide. "Quanto mais tecnologias que nos ajudem a expressar o que pensamos, melhor", disse.


sábado, 27 de junho de 2015

A engenharia celular e a remontagem do corpo humano

Órgãos sob medida
Células-tronco ajudam a produzir traqueias e vasos sanguíneos para transplante com menor risco de rejeição
PABLO NOGUEIRA | ED. 232 | JUNHO 2015 - REVISTA FAPESP







Imagine uma reforma de casa tão radical que inclua a remoção da pintura e do reboco das paredes, deixando desnudos os tijolos que formam a sua estrutura. Essa metáfora é útil para entender os projetos em andamento no Laboratório de Engenharia Celular (LEC) coordenado pela hematologista e hemoterapeuta Elenice Deffune na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu. Em vez de tinta e cimento, o trabalho dos pesquisadores envolve a remoção das células que recobrem estruturas ocas do corpo, como a traqueia e os vasos sanguíneos. Esse procedimento, conhecido como descelularização, é o primeiro passo de uma transformação mais ampla: a produção de órgãos e tecidos de reposição formados por células com as características genéticas do receptor. 

Usando essa estratégia, o cirurgião vascular Matheus Bertanha está desenvolvendo no LEC uma possível alternativa terapêutica para os problemas circulatórios gerados pela aterosclerose. Na aterosclerose, placas de gordura e cálcio se acumulam no interior das paredes das artérias e obstruem, ainda que parcialmente, a passagem do sangue. Quando esse bloqueio é grave a ponto de causar sintomas, o tratamento envolve procedimentos cirúrgicos para restaurar a circulação. Nos casos mais radicais, implanta-se um segmento de artéria ou de veia retirado de outra parte do corpo do próprio indivíduo, criando um desvio – ou uma ponte – que restabelece o fluxo sanguíneo normal. É o que geralmente fazem os cirurgiões cardíacos ao implantar um segmento da veia safena, extraído da perna, no coração de quem tem as artérias coronárias obstruídas. Algo semelhante é feito pelos cirurgiões vasculares para tratar bloqueios em artérias das pernas.
Nem sempre, no entanto, é possível realizar esse procedimento. Segundo dados da literatura médica, 30% dos pacientes que necessitam de enxerto para a confecção de pontes coronarianas não possuem vasos com as características adequadas para essa função. Estima-se ainda, conta Bertanha, que uma em cada 10 pessoas com indicação para receber enxertos vasculares nos membros inferiores enfrente o mesmo problema. “Alguns possuem veias com menos de 2,5 milímetros de diâmetro, o que impede a sua utilização”, explica. “Outras pessoas já estão na segunda ponte e não têm mais vasos disponíveis”, diz. Nesses casos, uma saída é usar uma ponte artificial, feita de material sintético. Mas elas podem ter uma vida útil curta porque sofrem obstrução mais facilmente. Outra possibilidade é obter vasos de doadores vivos, o que nem sempre é viável por causa da incompatibilidade imunológica, que pode levar à rejeição do implante.
Bertanha trabalha numa alternativa, ainda experimental, para tentar superar a falta de vasos do próprio indivíduo e o risco de obstrução dos materiais sintéticos. Em testes com coelhos, ele primeiro extrai vasos naturais – mais especificamente veias – de um animal doador. Depois, o segmento a ser transplantado para outro animal passa por um banho químico com detergentes que eliminam as células das paredes do vaso. O objetivo desse processo de descelularização é evitar que o corpo do receptor desencadeie uma agressão contra o órgão implantado. O que sobra desse processo é uma estrutura tubular – um arcabouço – composta por fibras de colágeno, a proteína formadora dos tecidos de sustentação do corpo.
Em seguida, o pesquisador semeia no interior do vaso um tipo especial de célula retirada do corpo do receptor: as células-tronco mesenquimais. Extraídas do tecido adiposo do animal que vai receber o transplante, essas células são capazes de se converter em células típicas dos vasos sanguíneos. Elas são cultivadas em laboratório até atingirem a quantidade esperada – cerca de 100 mil células para o experimento em animais pequenos – e depois coladas no interior do tubo de colágeno com o auxílio de um gel. “A presença de células do próprio receptor no segmento a ser implantado reduz ao mínimo a necessidade de usar imunossupressores para evitar a rejeição”, explica Elenice Deffune, que orientou o trabalho de Bertanha durante o mestrado.
Em um experimento concluído recentemente, Bertanha comparou o desempenho de quatro tipos de implante. Os animais do primeiro grupo receberam um segmento de veia cava retirada diretamente de outro indivíduo, sem passar pela descelularização, enquanto nos do segundo foi implantada apenas a veia descelularizada. No terceiro grupo foi usado um segmento de veia que passou pelo processo de descelularização seguido do repovoamento com células-tronco de outro indivíduo. E, por fim, o quarto grupo recebeu um segmento de veia descelularizada contendo células-tronco mesenquimais do próprio receptor.
Rejeição e regeneração
Como esperado, no primeiro caso houve uma reação inflamatória exuberante e uma forte rejeição ao vaso transplantado, enquanto no segundo ocorreu apenas uma resposta inflamatória branda. O uso de um tubo de colágeno povoado com células-tronco de outro indivíduo não despertou uma rejeição imediata. As células se diferenciaram formando o endotélio, a camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos, e pavimentaram boa parte do tubo. Um mês mais tarde, porém, surgiu uma inflamação expressiva.

Apenas os animais do quarto grupo não apresentaram rejeição, nem inflamação importante, mesmo um mês após a cirurgia e sem o uso de medicamentos imunossupressores. O que mais surpreendeu o pesquisador foi o comportamento das células-tronco implantadas. “Além de terem pavimentado mais de 50% do vaso, elas atraíram outras células-tronco existentes no organismo do receptor”, conta Bertanha. O resultado, inesperado, foi a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese). “Em princípio, essa surpresa é boa porque a angiogênese pode ajudar o novo vaso a se integrar ao tecido adjacente”, diz o pesquisador. “Mas teremos de investigar se esse processo não é patogênico.” Bertanha planeja realizar mais testes em animais, ao mesmo tempo que começa a trabalhar com células-tronco humanas, já pensando em experimentos futuros.
Em paralelo ao trabalho de Bertanha, a biomédica Thaiane Cristine Evaristo, aluna de doutorado da cirurgiã Daniele Cataneo, usa os procedimentos de descelularização e recelularização para produzir no LEC traqueias a serem usadas em transplantes. Ela desenvolve um protocolo de descelularização distinto dos adotados por equipes no exterior – e potencialmente mais barato.
Em outros países, os pesquisadores costumam usar enzimas de origem animal ou obtidas por engenharia genética para eliminar da traqueia as células do doador. Apesar de eficaz, essa estratégia é cara. Pode-se gastar até € 80 mil para descelularizar uma única traqueia. Esse custo, sem contar o da cirurgia e o da internação, torna quase proibitivo o transplante de traqueia em seres humanos.
Buscando uma alternativa, Thaiane e Elenice decidiram submeter as traqueias extraídas de doadores a uma sequência de tratamentos químicos e físicos que produzissem um resultado semelhante ao obtido com as enzimas. Primeiro, removeram cirurgicamente a traqueia e a banharam em um potente detergente, que ajuda a desfazer a membrana das células. Em seguida, usaram uma prensa para comprimi-la suavemente, antes de fazê-la passar por alguns ciclos de congelamento e descongelamento e imersão em um líquido agitado por vibrações ultrassônicas. Por último, a traqueia passou um período exposta à luz emitida por diodos (LEDs).
Peças de retífica
As traqueias livres de células obtidas com essa técnica foram testadas em coelhos, com resultados promissores. Não houve rejeição ao transplante e os roedores sobreviveram por um período que, para humanos, equivale a 10 anos. Com base nesses resultados, Elenice propôs ao físico Vanderlei Bagnato, da Universidade de São Paulo em São Carlos, desenvolver um equipamento integrando todas as etapas da técnica. Recentemente eles depositaram um pedido de patente do aparelho, cujo protótipo se encontra em desenvolvimento.
Ao mesmo tempo que trabalha no equipamento, o grupo de Botucatu prepara a próxima fase de testes, com suínos, etapa necessária antes do início dos estudos com seres humanos. Além de analisar a eficácia das técnicas de descelularização e recelularização de traqueias, o grupo pretende nos próximos anos testar traqueias artificiais feitas a partir de uma nova tecnologia, a ser desenvolvida em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto do Coração (InCor) da Universidade de São Paulo, ambos na capital paulista, e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, em Campinas.
A colaboração prevê que o LEC forneça ao IPT proteínas humanas para serem usadas na produção de um tecido nanoestruturado. No Centro Renato Archer, placas desse nanotecido deverão alimentar uma impressora 3D, que irá esculpir novas traqueias. Uma vez prontas, elas deverão ser remetidas ao LEC para a etapa de recelularização. “Queremos avaliar se essa opção se mostra tão boa quanto o uso das traqueias naturais”, diz Elenice. “Talvez o futuro dos transplantes esteja nesses novos materiais.”
No mundo todo existe uma demanda por traqueias para transplante. Elas são necessárias para substituir a traqueia de crianças que nascem com estreitamento nesse tubo que leva o ar do nariz aos pulmões – enfermidade conhecida como atresia congênita da traqueia, que atinge três crianças em cada 100 mil nascidas vivas – e também as de adultos que passam por longos períodos de internação respirando por meio de aparelhos. “No Hospital das Clínicas de São Paulo há uma fila de cerca de 300 pessoas à espera de um transplante de traqueia”, conta Elenice. “Em muitos casos, são adultos jovens que sofreram acidentes de trânsito.”
A literatura médica internacional traz relatos de aproximadamente 30 pessoas que receberam, de modo experimental, o implante de traqueia obtida por meio de engenharia celular. Mas ainda não se conhecem os resultados, que estão sob análise. “A engenharia celular pode fornecer uma esperança concreta para pacientes com lesões crônicas em órgãos de difícil abordagem terapêutica na atualidade”, diz Elenice. Em sua opinião, há motivos para investir na criação de traqueias e vasos sanguíneos artificiais, uma vez que é difícil obter essas estruturas naturais, que dependem de doadores de órgãos. “Às vezes, comparo nosso método a uma retífica de peças, que recupera as usadas e as deixa prontas para o transplante”, exemplifica Elenice. “Criar traqueias artificiais abriria a possibilidade de trabalharmos com peças novas em folha para o processo de recelularização.”

Referência em engenharia celular no Brasil, a bióloga Nance Nardi, da Universidade Luterana do Brasil, no Rio Grande do Sul, explica que a pesquisa nessa área começou com vasos e traqueias por causa da relativa simplicidade dessas estruturas. “Já há estudos com órgãos mais complexos, como o fígado, mas estão em estágios mais preliminares”, diz. Nance vê no crescente domínio do processo de descelularização uma das chaves para o progresso apresentado pelo LEC. “Remover as células de um arcabouço sem comprometer a sua integridade ainda é algo bem difícil”, avalia. “O trabalho deles tem conseguido boa repercussão, mas ainda deve levar algum tempo até que esses procedimentos se tornem cotidianos nas salas de cirurgia.”
Projeto
Estruturação ex-vivo de vasos sanguíneos a partir da diferenciação de células-tronco de coelhos (nº 2010/52549-8); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular;Pesquisadora responsável Elenice Deffune (Unesp); Investimento R$ 61.883,41 (FAPESP). Artigos científicos
BERTANHA, M. et alTissue-engineered blood vessel substitute by reconstruction of endothelium using mesenchymal stem cells induced by platelet growth factors
. Journal of Vascular Surgery. v. 59, n.6, p. 1677-85. 2014. BERTANHA, M. et alMorphofunctional characterization of decellularized vena cava as tissue engineering scaffolds. Experimental Cell Research. v. 326, n. 1, p. 103-11. 2014.

sábado, 23 de maio de 2015

Prevenir é melhor que remediar. Portanto, atenção no trabalho!

ACIDENTE DE TRABALHO /ESTATÍSTICA










De acordo com os dados do MPAS, o numero de acidentes de trabalho típicos notificados através dos trabalhadores segurados pela previdência social; em 1980, a incidência reduziu-se a 78 por mil; em 1990, a 30 por mil em 2000a 17 por mil. A queda da mortalidade foi menos intensa reduziu-se entre 1970 a 2000 de 31 para 15 por 100 mil  trabalhadores. A razão entre acidentes de trabalho fatais e acidentes de trabalhos notificados apresenta uma grande faixa de variação entre regiões e paises: desde 1 por 10 na África até 1 por 1.818 na Finlândia e 1 por 2.029 nos Estados Unidos. O padrão brasileiro em torno de 1:100 esta distante do padrão africano, porem ainda mais longe daqueles dos paises desenvolvidos. Uma relação baixa indica subnotificaçao comum, porem mais acentuado nas regiões subdesenvolvidas, entretanto outros fatores inter-relacionados devem ser apontados para explicar a tendência de notificação  de acidentes no Brasil : transferência de etapas da produção para empresas de menor porte , em geral, à margem, do mercado formal e, conseqüentemente , diminuição da força de trabalho contratada com carteira assinada e, ainda , o importante fluxo migratório de mão de obra do setor secundário para o terciário.
Equipamentos complexos exigem treinamentos precisos e extensos sobre segurança.

Em 1997, dados do ministério do trabalho e emprego (M.T. E) reveram coeficientes de acidentes de trabalho fatais mais altos em três classes de atividades econômica;

·        Construção civil
·        Transporte e comunicações
·        Industria extrativa.
·         
O setor da construção civil tem sido apontado em alguns estudos como a principal atividade geradora de acidentes no mercado formal dos pais. Grande parte dos trabalhadores desse setor é formada por ajudantes gerais, pouco experientes e treinados, por outro lado, é um setor com alto grau de periculosidade, com risco de acidentes causados por quedas de andaimes e escadas manipulação de maquinas e ferramentas perigos do material explosivo, gases venosos, e substancias corrosivas. Obviamente, na base de muitas das mortes de trabalhadores desse setor estão equipamentos inadequados ou deficientes por falta de manutenção ou pela negligencia de colocar em pratica rotinas seguras para a operação desses equipamentos.Deve-se ressaltar que muitos dos trabalhadores da construção civil não tem carteira assinada, algumas cidades como S.Paulo, a proporção de trabalhadores atinge 34,4%.

Embora o estudo tenha revelado que a construção civil, tanto na capital como no interior é atividade responsável pelo número de acidentes de trabalho fatais, a mortalidade em trabalhadores homens nesse setor (17,6 por 100 mil) situa-se após a mortalidade encontrada para os setores de transporte e comunicação (54,1 por 100 mil) serviço e comercio (24,1 por 100 mil) o estudo mostrou ainda que os acidentes e os atropelamentos com veículos a motor são as principais causas de morte no conjunto de acidentes de trabalho.Em relação especificamente à ocupação, os condutores de motocicletas, automóveis, ônibus, caminhões foram os principais atingidos por acidentes fatais. Para isso, contribuem as mudanças nas características de algumas ocupações, por exemplo, os Office-boys são modernamente os motos-boys, jovens que sofrem os efeitos dos riscos presentes no transito das cidades e cujo numero de mortes torna-se crescente e com considerável perda de potenciais anos de vida.


FATOS SOBRE ACIDENTES DE TRABALHO NO BRASIL

·        As informações oficiais disponíveis desde 1970 sobre acidentes de trabalho referem-se apenas aos trabalhadores do setor formal da economia

·        Embora a notificação de acidentes de trabalho no setor formal venha decaindo desde 1970 a letalidade aumentou cerca de cinco vezes nesse período.

·        Estudos recentes sugerem que a mortalidade por acidentes de trabalho seja mais alta entre os trabalhadores do setor  informal da economia.

·        Três classes de atividades econômicas são responsáveis pela geração do maior numero de acidentes de trabalho registrados: construção civil transporte e comunicações industria extrativa.

·        Os acidentes e os atropelamentos envolvendo veículos a motor constituem –se isoladamente, na principal causa de morte por acidentes do trabalho.

·        Condutores de motocicletas, automóveis, ônibus e caminhões são as principais classes de trabalhadores atingidos por acidentes de trabalho fatais.

·        Os homicídios representam a principal causa de morte por acidentes de trabalho ocorridos dentro dos muros das empresas

·        Atualmente as causa dos acidentes de trabalho fatais aproximam –se das mortes por causas externas nas populações urbanas brasileiras.

·        O impacto dos acidentes de trabalho sobre o conjunto da economia brasileira pode chegar a 10% do PIB.
 
Montagem de grandes estruturas no projeto S11D VALE.

sábado, 2 de maio de 2015

Acidentes de trabalho é evitado com muita prevenção e educação

ACIDENTE DE TRABALHO



É por definição um evento negativo e indesejado do qual resulta uma lesão pessoal ou dano material.

Essa lesão pode ser imediata (lesão traumática ou mediata (doença profissional). Assim caracteriza-se a lesão quando a integridade física ou a saúde são atingidas, o acidente, entretanto caracteriza-se pela existência do risco, ou podemos citar que o acidente de trabalho ou simplesmente ACIDENTE é a ocorrência imprevista e indesejável instantânea ou não relacionada com o exercício do trabalho que provoca lesão pessoal ou que decorre risco próximo ou remota dessa lesão; Muitas vezes o acidente parece ocorrer sem ocasionar lesão ou danos o que a principio poderia contradizer a definição acima relatada, alguns autores chamam esses acidentes de incidentes ou de “quase –acidentes”, outros autores, preservando a definição os chamam de acidentes sem lesão ou danos visíveis, nesse caso o dano material pode ser até mesmo a perda de tempo associada ao acidente).

ACIDENTE IMPESSOAL: E o acidente no qual não há existência de vitima, embora haja danos materiais diretos visíveis.

ACIDENTE PESSOAL: E o acidente que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão pessoal ou distúrbio funcional que cause a morte, perda ou redução permanente ou
temporária da capacidade para o trabalho.

QUASE ACIDENTE: E todo fato ou acontecimento não desejado que por questão de espaço e tempo não resultou em lesão ou danos materiais.
ACIDENTADO: É o empregado vitima de acidente que sofre qualquer tipo de lesão, classificando-se em:
-          ACIDENTADO COM PERDA DE TEMPO – CTP: É o empregado envolvido no acidente que sofre lesão que o impede de voltar ao trabalho no dia imediato ao do acidente para exercer suas funções estabelecidas na descrição do seu cargo, ou parte destas, na sua área e jornada normais de trabalho ou que sofre lesão fatal ou incapacitante permanente, total ou parcial.
-          ACIDENTADO SEM PERDA DE TEMPO – SPT: É o empregado envolvido em acidente que sofre lesão que não seja fatal nem incapacitante permanente, total ou parcial, e nem o impede de voltar ao trabalho até o dia seguinte ao do acidente para exercer as funções estabelecidas na descrição do seu cargo ou parte destas, na sua área e jornada normais de trabalho.

OCORRENCIA GRAVE: É o acidente em que ocorre vitima fatal lesão incapacitante permanentes total; lesões incapacitante permanente parcial, lesões graves que exigem internações em UTI, paralisação da produção por período superior acima de 6 (seis) horas.

ACIDENTE DE TRAJETO: É aquele sofrido pelo empregado no percurso da residência para o local de trabalho ou vice-versa sendo qualquer que seja o meio de locomoção.
CAT: Comunicação de Acidente de Trabalho.
INSS: Instituto Nacional de seguridade social.


Exemplifiquemos dois (2) acidentes com lesão.

1-      Acidente: exposição do trabalhador a ruído excessivo.
Causa: ausência de isolamento acústico ou não utilização de protetor auricular.
Conseqüência: perda auditiva (doença profissional)


2-      Acidente: queda do trabalhador de um andaime.
Causa: ausência de proteção lateral do andaime ou não utilização do cinto de segurança
Conseqüência: fraturas diversas (lesões traumáticas ou morte).

Existe uma ampla LEGISLAÇÃO sobre esse assunto especialmente na área trabalhista e previdenciária, o gerenciamento dos riscos associados ao trabalho é fundamental para prevenção de acidentes isso requer, pesquisas, métodos e técnicas especificas, monitoramento e controle, os conceitos básicos de segurança e saúde devem estar incorporados em todas as etapas de processo produtivo do projeto à operação. Essa concepção irá garantir inclusive a continuidade e segurança dos processos, uma vez que os acidentes geram horas e dias perdidos.


  LEGISLAÇAO

Em nosso país, a primeira lei de acidente do trabalho surgiu em 1919 e baseava-se no conceito de risco profissional, considerando esse risco como sendo natural à atividade profissional. Essa legislação não estabelecia um seguro obrigatório, más previa pagamento de indenização ao trabalhador ou à sua família, calculada de acordo com a gravidade das seqüelas do acidente, sendo que a prestação do socorro médico-hospitalar e farmacêutico era obrigação do empregador . A comunicação do acidente de trabalho tinha que ser feita a autoridade policial do local, pelo empregador, ou próprio trabalhador  acidentado ou ainda por terceiros.

Desde então a legislação brasileira sobre acidentes de trabalho sofreu importantes modificações em 1934, 1944, 1967, 1976, 1984, 1991, 1992, e finalmente em 1995. A legislação atualmente em vigor é a lei n° 8.213 de 24 de julho de 1991, posteriormente regulamentada pelo decreto lei n° 611 de 21 de julho de 1992(plano de benefícios da previdência social). De acordo com essa legislação, além de ser responsável pela adoção e uso de medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador, a empresa deve contribuir com financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho proporcionalmente no grau de risco de acidentes de trabalho correspondente à sua atividade econômica. Os percentuais, incidentes sobre total de remuneração pagas no decorrer do mês equivalem a 1% (um por cento) para o grau de risco leve , a 2%(dois por cento) para o grau médio e a 3% (três por cento) para o grau de risco  grave.

A empresa deverá comunicar o acidente de trabalho a previdência social, através da emissão da comunicação de acidente de trabalho –CAT, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência, e em caso de  morte, de imediato à autoridade policial competente .O acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponde à sua categoria deverão receber copia  da CAT. Na falta de comunicação por parte da empresa poderão emitir a CAT o próprio acidentado, seus dependentes a entidade sindical competente, o medico que o assistiu ou qualquer autoridade publica .

O ACIDENTE DE TRABALHO DEVERÁ SER CARACTERIZADO  DA SEGUINTE FORMA:
  • Administrativamente, através do setor de benefícios do Instituto nacional de seguro social (INSS), que estabelecerá o nexo entre o trabalho exercido e o acidente.
  • Tecnicamente, através da perícia medica do INSS, que estabelecerá o nexo de causa e efeito entre o acidente e a lesão.


AUXÍLIOS


Em casos de acidente de trabalho, o acidentado e os seus dependentes têm direito, independentemente de carência, as seguintes prestações:
  • Quanto ao segurado: auxilio doença, auxilio acidente ou aposentadoria por invalidez.
  •  Quanto ao dependente: pensão por morte.

O auxilio acidente será concedido ao trabalhador segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes da doença profissional ou acidentes de trabalho, resultar seqüela que implique em redução da capacidade laborativa. Esse auxilio é mensal e vitalício e corresponde a 50% do salário de contribuição do segurado vigente no dia do diagnostico da doença profissional ou da ocorrência do acidente  de trabalho.
Convém observar que o pagamento pela previdência social das prestações por acidente de trabalho não exclui a responsabilidade civil da empresa ou de outrem. Da mesma forma os responsáveis técnicos(o engenheiro ou técnico de segurança, o medico do trabalho, as chefias) podem ser chamados a responder criminalmente pelo dano à integridade física do trabalhador. Por sua vez o trabalhador segurado que sofreu acidente de trabalho tem garantido, pelo prazo mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxilio doença acidentário.

INVESTIGAÇÃO

A investigação causal é um procedimento importante na prevenção dos acidentes de trabalho por promover a identificação de fatores de risco cuja eliminação pode evitar a ocorrência de novos acidentes. Nos tempos atuais, parece consenso que as noções de ato e condições inseguras
Devem ser definitivas abandonadas praticas de investigações de acidente de trabalho.


MÉDIA DE ACIDENTE DE TRABALHO (AT)
  • Incidência cumulativa ou acumulada  (I) é a estimativa do risco de um individuo acidenta-se na população e no intervalo de tempo estudado .
  • I = nº de At ocorrido
                  N° de trabalhador no estudo.

  • Densidade de incidência (DI) é um indicador mais acurado para medir a ocorrência de acidentes de trabalho, pois leva em conta o numero de horas /homem trabalhados.
DI =  n° de acidentes trab. Ocorrido x 100
                    N° de horas / homens trabalhados
  • Coeficiente  de mortalidade (CM) é um indicador do numero de acidentes fatais na população e no intervalo de tempo estudado.
CM= n° de óbitos  por AT
                   Pop trabalhadora exposta
  • Letalidade (L) é um indicador que mede a capacidade dos acidentes de trabalho levando a óbito.
L = n° de AT fatais x 100
                  N° de AT ocorridos
  •  Coeficiente de gravidade  (CG) permite a avaliação quantitativa das perdas  acarretadas pelo acidente de trabalho, em conseqüência da incapacitarão temporária ou permanente das vitimas deste eventos.
CG= n° dias perdidos  por AT + n° dias debitados x 100
         N ° de horas / homem trabalhados.




ACIDENTE DE TRABALHO/ CRIANÇA ADOLESCENTE.
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Embora seja conhecida com relativa precisão o universo das crianças e adolescentes trabalhadoras, os dados de acidentes de trabalho de que são vitimas são pouco conhecidas e com certeza, subestimadas, visto que a precariedade da formalização do vinculo de trabalho de criança e adolescente é uma constante fazendo com que sejam reconhecidos apenas aqueles acidentes em que o trabalhador esta formalmente inserido no mercado de trabalho. Por outro lado na analise dos acidentes de trabalho que ocorrem com crianças e adolescentes, não podemos utilizar os mesmos métodos usados com adultos, nesta classe de trabalhadores temos que levar em consideração outros fatores que impactam na causa de acidentes.


ASPECTOS PECULIARES AOS TRABALHADORES INFANTO JUVENIS.


  • Desconhecimento dos riscos a que estão expostos, e mesmo conhecendo-os não detém nenhum controle sobre eles no sentido de lutar pela sua eliminação.
  • Falta de experiência necessária para lidar com riscos existentes nos ambientes de trabalho.
  •  Em virtudes de suas características psicológicas, as crianças e adolescentes possuem um comportamento de competição próprio da idade fazendo com que exponham inconscientemente a riscos.
  •  Condições de nutrição precárias dos trabalhadores em geral e dos trabalhadores infanto juvenis, conforme já comentado anteriormente.
  • Maior predisposição a fadiga física e mental
  • Maior precariedade das condições de proteção no trabalho
  • As maquinas, equipamentos, ferramentas e postos de trabalho são projetados para trabalhadores adultos e não estão adaptados  as características psicofisiológicas da crianças e do adolescente.